A Sustainability Week 2026, promovida pelo IDB Invest, braço do setor privado do Inter-American Development Bank Group (IDB Group), foi realizada entre os dias 26 e 28 de maio de 2026, em Barbados, reunindo autoridades globais, investidores institucionais, bancos multilaterais e especialistas em clima, finanças sustentáveis e desenvolvimento econômico. O evento contou com a participação das diretoras do IDEIAS, Luana Romero e Maísa Porto, que estiveram presentes em painéis estratégicos e agendas de alto nível ao longo da programação, reforçando a presença brasileira nos debates sobre financiamento climático e transição sustentável na América Latina e Caribe.
Um evento no centro da agenda climática e dos investimentos sustentáveis
A Sustainability Week consolidou sua posição como uma das principais plataformas globais voltadas à mobilização de capital privado para a transição climática em economias emergentes.
Ao longo dos debates, especialistas reforçaram que o maior desafio já não é a falta de recursos disponíveis para investimentos sustentáveis. O foco agora está na capacidade de transformar esse interesse em projetos estruturados e atrativos para os investidores.
Além disso, os participantes destacaram a importância de desenvolver modelos de risco mais adequados e mecanismos de governança mais robustos. Sem esses elementos, muitos projetos continuam enfrentando dificuldades para acessar financiamento.
Esse descompasso entre capital disponível e projetos financiáveis apareceu em diferentes painéis do evento. Por isso, ganhou força a defesa de soluções financeiras mais sofisticadas e de maior coordenação entre bancos multilaterais, governos e setor privado.
Blended finance e a nova engenharia do capital climático
Um dos painéis centrais abordou o papel do blended finance na expansão dos investimentos em mercados emergentes.
As discussões mostraram como estruturas que combinam diferentes fontes de capital podem reduzir riscos e ampliar a participação do setor privado. Garantias, instrumentos de subordinação e o envolvimento de instituições multilaterais surgiram como estratégias importantes nesse processo.
Ao mesmo tempo, especialistas destacaram que essas soluções têm facilitado investimentos em setores estratégicos, como energia, infraestrutura e adaptação climática.
Nesse contexto, o IDB Invest apresentou avanços do modelo Originate-to-Share. A estratégia busca estruturar operações desde as etapas iniciais e distribuir riscos entre diferentes perfis de investidores.
Com isso, os bancos de desenvolvimento passam a desempenhar um novo papel. Mais do que financiadores diretos, eles atuam como articuladores capazes de organizar fluxos de capital em larga escala.
Infraestrutura e transição energética no centro das discussões
Os debates sobre infraestrutura e energia mostraram que a transição energética na América Latina e no Caribe depende de múltiplos fatores.
Entre eles, destacam-se a previsibilidade regulatória, a segurança institucional e a modernização das redes elétricas. Segundo os especialistas, esses elementos influenciam diretamente o custo do capital.
Além disso, os participantes ressaltaram que investidores buscam ambientes mais estáveis e contratos de longo prazo. Essas condições contribuem para viabilizar projetos que exigem elevados volumes de investimento.
Outro ponto importante envolveu a integração entre fontes renováveis e sistemas de armazenamento. O tema deixou de representar uma agenda futura e passou a ser tratado como uma necessidade imediata para a expansão da matriz energética regional.
Dessa forma, a infraestrutura ganhou destaque não apenas como setor econômico, mas também como elemento essencial para fortalecer a competitividade e apoiar a transição climática.
Adaptação climática e os custos da inação
A adaptação climática também ocupou espaço relevante na programação do evento.
Os debates ampliaram a discussão para além das questões ambientais. Especialistas chamaram atenção para os impactos fiscais e macroeconômicos associados aos eventos climáticos extremos.
Em diferentes países, esses eventos têm pressionado os orçamentos públicos e aumentado os custos dos sistemas de seguro. Por isso, cresce a necessidade de desenvolver instrumentos financeiros voltados ao fortalecimento da resiliência.
Nesse cenário, mecanismos como seguros paramétricos, fundos de resiliência e instrumentos de transferência de risco soberano ganharam destaque.
A principal mensagem foi clara: o custo da inação já pode ser medido e tende a aumentar nos próximos anos. Portanto, investir em adaptação climática deixou de ser apenas uma estratégia preventiva. Tornou-se uma decisão economicamente necessária.
Highlights da participação das diretoras do IDEIAS

A presença das diretoras Luana Romero e Maísa Porto se destacou ao longo de toda a programação, especialmente em agendas de articulação institucional e discussões técnicas sobre o futuro do financiamento climático na região.
Luana Romero participou de encontros estratégicos com representantes de bancos multilaterais e fundos internacionais, além de debates sobre estruturação de projetos sustentáveis em mercados emergentes. Em sua avaliação, o evento se destacou pelo nível técnico das discussões e pela centralidade do tema de estruturação de projetos como condição para destravar capital.
Já Maísa Porto esteve presente em conversas focadas em blended finance, mitigação de risco e escalabilidade de soluções climáticas. Sua participação reforçou a percepção de que o principal desafio atual não está mais na concepção de soluções, mas na engenharia financeira necessária para viabilizá-las em larga escala.
As diretoras sintetizaram essa visão ao destacarem que o evento deixou claro que o ecossistema de financiamento climático já avançou no campo conceitual, mas agora enfrenta um desafio essencialmente operacional: transformar modelos existentes em estruturas replicáveis, capazes de atrair capital privado de forma consistente.
Lideranças globais e presença institucional

O evento reuniu algumas das principais lideranças da agenda global de sustentabilidade e financiamento climático. Entre os participantes estavam Ilan Goldfajn, presidente do IDB Group; James Scriven, CEO do IDB Invest; Ana Toni, CEO da COP30; Selwin Hart, assessor especial da ONU para Ação Climática; além de Hilen Meirovich e Stacy Swann, representantes do IDB Invest.
A presença desses especialistas reforçou a importância da Sustainability Week como um espaço de diálogo entre organismos multilaterais, governos, investidores e representantes do setor privado. Além disso, o encontro demonstrou a necessidade de ampliar a cooperação para enfrentar os desafios climáticos da região.
Da discussão à implementação
Ao longo da programação, ficou claro que a Sustainability Week 2026 foi além das discussões conceituais sobre sustentabilidade. O evento priorizou soluções práticas e estratégias voltadas à implementação.
Os debates abordaram temas como financiamento climático, mitigação de riscos e mecanismos para ampliar a participação do capital privado. Ao mesmo tempo, especialistas destacaram a importância de estruturar projetos capazes de atender às exigências dos financiadores internacionais.
Nesse contexto, a América Latina e o Caribe ocuparam posição de destaque. A região enfrenta desafios significativos. Entretanto, também reúne oportunidades importantes para impulsionar a transição climática e promover modelos de desenvolvimento mais sustentáveis.
A participação do Instituto Ideias, representado por Luana Romero e Maísa Porto, reforçou o compromisso da instituição com os principais debates da agenda socioambiental. Além disso, a presença no evento permitiu ampliar conexões estratégicas e aprofundar conhecimentos sobre instrumentos financeiros voltados ao desenvolvimento sustentável.
Por fim, a Sustainability Week 2026 deixou uma mensagem importante: transformar compromissos em ações concretas será um dos maiores desafios dos próximos anos. Para alcançar esse objetivo, será necessário fortalecer parcerias, ampliar o acesso ao financiamento e desenvolver projetos preparados para responder às demandas sociais e ambientais contemporâneas.
