agosto lilás

Uma comunidade pode parecer segura. No entanto, a segurança das mulheres depende de muito mais do que baixos índices de violência. Ela também envolve prevenção, acesso à informação, participação nas decisões e uma rede de proteção preparada para acolher.

Por isso, avaliar a segurança das mulheres exige olhar para o cotidiano dos territórios. Quem participa das decisões? As mulheres são ouvidas? Os serviços de proteção são conhecidos? A comunidade sabe identificar situações de violência?

Além disso, existe uma pergunta fundamental: o que ainda é tratado como normal?

Neste Agosto Lilás, portanto, o convite é ampliar esse olhar. Afinal, territórios mais justos e seguros são construídos todos os dias por pessoas, comunidades, empresas, organizações e poder público.

Segurança das mulheres também aparece nos números

Os dados, por sua vez, mostram que a violência contra as mulheres continua sendo um desafio que exige respostas coletivas.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, ouviu 21.641 mulheres em todo o Brasil. Segundo o levantamento, 27% das brasileiras com 16 anos ou mais já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida.

Além disso, 34% das entrevistadas afirmaram ter vivenciado pelo menos uma situação de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa. O levantamento considerou diferentes formas de violência, incluindo física, psicológica, moral, patrimonial, sexual e digital.

Outro dado também chama atenção. 10% das brasileiras com 16 anos ou mais relataram ter sofrido algum tipo de violência digital no período analisado.

Portanto, falar em segurança das mulheres significa reconhecer que a violência pode assumir diferentes formas. Muitas delas, inclusive, podem permanecer invisíveis nos indicadores tradicionais.

Segurança das mulheres começa pelo acesso à informação

Uma comunidade mais segura é, antes de tudo, aquela em que as pessoas sabem onde buscar ajuda.

Segundo o DataSenado, 93% das brasileiras conhecem as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. A Defensoria Pública, por sua vez, é conhecida por 87% das entrevistadas.

Entretanto, apenas 38% conhecem a Casa da Mulher Brasileira.

Além disso, 68% das mulheres afirmaram ter pouco conhecimento sobre medidas protetivas.

Esses números revelam um ponto importante. Não basta que os serviços existam. É necessário que as mulheres conheçam seus direitos e saibam como acessar a rede de proteção. Por isso, ações de informação e prevenção podem fazer parte das estratégias de fortalecimento dos territórios.

Além do mais, empresas, organizações e lideranças comunitárias podem contribuir para ampliar o acesso a informações confiáveis.

Segurança das mulheres depende de uma comunidade que não normaliza a violência

A violência nem sempre começa com uma agressão física. Por exemplo, controle, humilhação, ameaças, perseguição, constrangimento e violência digital também podem fazer parte de relações abusivas. No entanto, alguns desses comportamentos ainda são tratados como problemas privados ou situações comuns.

O DataSenado identificou outro dado relevante. 71% das violências declaradas pelas mulheres nos 12 meses anteriores foram testemunhadas por outras pessoas.

Esse resultado reforça a importância da responsabilidade coletiva. Afinal, quem presencia uma situação de violência também pode contribuir para interromper um ciclo de agressões. Para isso, entretanto, é necessário reconhecer os sinais e saber como agir.

Assim, a segurança das mulheres deixa de ser uma responsabilidade individual. Ela passa a ser uma responsabilidade de toda a comunidade.

Participação também fortalece a segurança das mulheres

Quem vive um território diariamente conhece problemas que nem sempre aparecem nas estatísticas. Por isso, ouvir as mulheres é essencial para compreender riscos e necessidades de cada comunidade.

A iluminação de uma rua, o acesso ao transporte, a segurança no entorno de uma escola, a circulação em espaços públicos e o acesso aos serviços podem afetar mulheres de maneiras diferentes.

Além disso, as mulheres precisam participar dos processos de planejamento e tomada de decisão. Consequentemente, a participação deixa de ser apenas uma etapa de consulta. Ela passa a contribuir para decisões mais conectadas à realidade do território.

Segurança das mulheres exige prevenção contínua

Prevenir a violência exige mais do que campanhas pontuais. Em primeiro lugar, é necessário ampliar o acesso à informação. Depois, é importante fortalecer a participação social, os serviços de proteção e as políticas públicas.

Para empresas e organizações, isso significa considerar os impactos sociais de suas atividades. Também significa compreender as vulnerabilidades existentes nos territórios onde atuam.

Além disso, uma Avaliação de risco baseada em violência de gênero pode contribuir para identificar situações específicas de vulnerabilidade e orientar medidas de prevenção. Essa abordagem permite considerar a segurança das mulheres desde o planejamento até a execução de projetos e ações territoriais.

Como avaliar a segurança das mulheres em uma comunidade?

Mais do que observar números, é importante fazer perguntas.

  • As mulheres participam das decisões que afetam o território?
  • Elas sabem onde buscar ajuda?
  • A comunidade reconhece diferentes formas de violência?
  • Existem ações permanentes de prevenção e informação?
  • Os serviços de proteção são acessíveis e conhecidos?
  • Situações de violência ainda são tratadas como algo normal?

Ao responder essas perguntas, torna-se possível identificar aspectos que muitas vezes ficam escondidos nos indicadores tradicionais de segurança.

Além disso, a análise ajuda a compreender quais ações podem fortalecer a proteção e o acolhimento das mulheres.

Territórios mais justos são construídos coletivamente

A segurança das mulheres não depende de uma única ação. Pelo contrário, ela é resultado de uma rede formada por pessoas, comunidades, organizações, empresas e políticas públicas.

Por isso, o Agosto Lilás também pode ser um momento de reflexão sobre os territórios onde vivemos e atuamos. Olhar para a segurança das mulheres significa observar as relações, os espaços, os serviços e as oportunidades de participação.

Significa, ainda, reconhecer que prevenir a violência é uma responsabilidade compartilhada.

Afinal, uma comunidade realmente segura não é apenas aquela onde a violência não aparece. É aquela que sabe reconhecê-la, preveni-la e agir para que ela não seja naturalizada.

Neste Agosto Lilás, fica o convite: como está a comunidade onde você mora ou atua? Ela é, de fato, segura para as mulheres?

Fontes

DataSenado – Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025: Confira a pesquisa completa

Ministério da Justiça e Segurança Pública – Mapa da Segurança Pública: Acesse os dados nacionais de segurança pública

IDEIAS FORM: transformando dados em decisões sustentáveis

Plataforma de Inteligência Socioambiental com foco em Stakeholders e Indicadores.  

IFORM: transformando dados em decisões sustentáveis

Plataforma de Inteligência Socioambiental com foco em Stakeholders e Indicadores.  

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