A transição energética global avança em ritmo acelerado e já aponta para uma mudança estrutural na forma como o mundo produz e consome eletricidade. Um novo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) indica que fontes de baixa emissão — especialmente energias renováveis e nuclear — devem responder por cerca de metade da geração elétrica mundial até 2030, consolidando uma virada histórica no setor.
O avanço é impulsionado principalmente pela expansão sem precedentes da energia solar e eólica, que têm liderado o crescimento da capacidade instalada em diferentes regiões do planeta. Segundo a AIE, a geração a partir dessas fontes, combinada com a energia nuclear, deve alcançar cerca de 50% da eletricidade global até o fim da década — um salto significativo em relação aos níveis atuais.
Esse movimento também marca um ponto de inflexão no sistema energético global. Pela primeira vez, fontes de baixa emissão devem superar o carvão na geração de eletricidade, reduzindo gradualmente a dependência de combustíveis fósseis e acelerando a transição para uma matriz mais limpa.
Ao mesmo tempo, a demanda global por eletricidade continua em crescimento, impulsionada por fatores como a eletrificação da indústria, o avanço da mobilidade elétrica, a expansão de data centers e o uso crescente de tecnologias digitais. Economias emergentes seguem liderando esse aumento, mas países desenvolvidos também voltaram a registrar crescimento após anos de estabilidade no consumo energético.
A energia nuclear, por sua vez, volta a ganhar relevância estratégica. Com novos investimentos e projetos em andamento, a tecnologia é vista como uma aliada importante para garantir estabilidade no fornecimento e complementar a geração renovável, que depende de condições climáticas. Ainda assim, sua participação relativa tende a se manter estável, mesmo com crescimento absoluto da produção.
Apesar dos avanços, o relatório alerta que o ritmo atual ainda não é suficiente para alinhar o setor energético às metas climáticas mais ambiciosas, como limitar o aquecimento global a 1,5°C. A expansão das fontes limpas precisa ser acompanhada por políticas públicas mais robustas, investimentos consistentes e redução acelerada do uso de combustíveis fósseis.
No contexto global, o cenário indica não apenas uma mudança tecnológica, mas uma transformação estrutural na economia e na sociedade. A chamada “era da eletricidade” — baseada em fontes limpas e sistemas mais eficientes — já está em curso, redefinindo cadeias produtivas, modelos de negócio e estratégias de desenvolvimento sustentável.
Para organizações socioambientais e empresas comprometidas com a agenda climática, como o Instituto Ideias, esse movimento reforça a importância de integrar dados, planejamento e inovação em projetos que contribuam para a transição energética justa e inclusiva. Afinal, mais do que uma mudança na matriz energética, trata-se de uma oportunidade de redesenhar o futuro com base em sustentabilidade, equidade e resiliência.
Fonte: IEA.ORG
