O verão não é igual para todos: quem sofre mais com o calor e as chuvas?

Ondas de calor intenso, chuvas cada vez mais concentradas e eventos extremos já fazem parte da rotina do verão brasileiro. Embora esses fenômenos atinjam todo o país, seus impactos não são distribuídos de forma igual. Para milhões de pessoas, especialmente aquelas que vivem em contextos de vulnerabilidade, o verão representa risco à saúde, à moradia e à própria sobrevivência.

A chamada desigualdade climática escancara uma realidade incômoda: quem menos contribui para a crise do clima é quem mais sofre com seus efeitos.

Justiça climática em debate

O conceito de justiça climática parte do princípio de que a crise ambiental não é apenas um problema ecológico, mas também social e econômico. Ela afeta de maneira mais severa populações com menos acesso a infraestrutura, serviços públicos e proteção social.

Durante o verão, essa desigualdade se intensifica. Enquanto parte da população encontra conforto em ambientes climatizados, outras enfrentam temperaturas extremas em moradias precárias, sem ventilação adequada ou acesso regular à água e à energia.

A justiça climática propõe que políticas públicas e estratégias de adaptação levem em conta essas desigualdades históricas, priorizando quem está na linha de frente dos impactos.

Populações vulneráveis e riscos ampliados

Crianças, idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores informais e comunidades tradicionais estão entre os grupos mais expostos aos efeitos do calor extremo e das chuvas intensas. A falta de acesso a serviços de saúde, transporte adequado e informação agrava ainda mais esse cenário.

Em áreas onde o saneamento é insuficiente, as chuvas de verão aumentam o risco de doenças, alagamentos e deslizamentos. Já o calor excessivo afeta diretamente a saúde física e mental, elevando casos de desidratação, exaustão térmica e agravamento de doenças crônicas.

Esses impactos não são acidentais, mas resultado de escolhas políticas, modelos de desenvolvimento excludentes e ausência de planejamento urbano.

Periferias urbanas na linha de frente

Nas periferias das grandes cidades, a desigualdade climática é vivida diariamente. A escassez de áreas verdes, o excesso de concreto e a precariedade da infraestrutura urbana criam ilhas de calor que elevam ainda mais as temperaturas.

Além disso, muitas dessas regiões estão localizadas em áreas de risco, sujeitas a enchentes e deslizamentos. A cada verão, moradores convivem com o medo de perder seus bens, suas casas e, em casos extremos, suas vidas.

A adaptação climática nas cidades passa, necessariamente, por políticas habitacionais, mobilidade urbana, acesso à água, saneamento básico e ampliação de áreas verdes, com foco nas regiões mais vulneráveis.

Responsabilidade compartilhada

Enfrentar a desigualdade climática exige ação conjunta do poder público, do setor privado e da sociedade civil. No campo do ESG, cresce a expectativa de que empresas reconheçam seu papel na redução de impactos e no apoio a soluções que promovam justiça social e ambiental.

Investimentos em infraestrutura resiliente, apoio a projetos comunitários e participação em políticas de adaptação são caminhos possíveis para reduzir desigualdades e fortalecer territórios.

Um desafio que vai além do verão

O verão evidencia, mas não cria, a desigualdade climática. Ela é resultado de um processo contínuo de exclusão que precisa ser enfrentado com políticas estruturais e compromisso de longo prazo.

Enquanto o clima muda, a urgência de agir também aumenta. Garantir que ninguém fique para trás diante da crise climática é um dos maiores desafios do nosso tempo e uma condição essencial para construir um futuro mais justo e sustentável para todos.

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