O câncer de mama continua sendo um dos principais desafios de saúde para as mulheres no Brasil. Em 2026, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) colocam a doença novamente como o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluindo o câncer de pele não melanoma. No triênio 2026-2028, o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano. Entre as mulheres, o câncer de mama representa 30% dos casos estimados.
Os números ajudam a dimensionar a importância do Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e a detecção precoce do câncer de mama. Mais do que uma campanha anual, o período reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação, aos exames e ao tratamento em tempo oportuno.
O cenário brasileiro

Em 2025, o INCA estimou 73.610 novos casos de câncer de mama no país. A doença também foi apontada como a principal causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras. Em 2023, mais de 20 mil mulheres morreram em decorrência da doença.
O levantamento publicado pelo INCA em 2025 também mostrou diferenças importantes entre as regiões brasileiras. O Sudeste apresentou a maior incidência, enquanto Santa Catarina registrou a maior taxa ajustada entre os estados, de 74,79 casos por 100 mil mulheres.
Essas diferenças mostram que o enfrentamento do câncer de mama também passa pelas condições de acesso aos serviços de saúde. Prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento precisam caminhar juntos para reduzir desigualdades e ampliar as possibilidades de cuidado.
Mamografia: o que mudou
Uma das principais mudanças recentes ocorreu em setembro de 2025, quando o Ministério da Saúde atualizou a recomendação para o rastreamento mamográfico no SUS.
A orientação passou a indicar a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, faixa etária para a qual existem evidências mais consistentes de redução da mortalidade com essa estratégia.
Isso não significa que mulheres fora dessa faixa estejam impedidas de realizar o exame. Segundo o Ministério da Saúde, o SUS mantém o acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos que desejarem realizar o rastreamento, desde que recebam orientação profissional sobre benefícios e possíveis riscos.
A atualização também veio em um cenário de ampliação do acesso. Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, sendo 4 milhões de exames de rastreamento em mulheres sem sintomas.
O que os dados mostram em 2026
Em 2026, o Governo Federal ampliou iniciativas voltadas ao diagnóstico e ao atendimento especializado. As carretas de saúde da mulher do Ministério da Saúde passaram a levar mamografias, ultrassonografias, biópsias e consultas para diferentes regiões do país, especialmente locais com alta demanda ou dificuldade de acesso.
Em setembro, por exemplo, uma unidade móvel em Campo Grande, no Rio de Janeiro, passou a atender pacientes encaminhadas pelo SUS. Segundo o Ministério da Saúde, 39 municípios do estado já haviam recebido unidades móveis, com 31,9 mil pessoas atendidas e 80,5 mil procedimentos realizados.
No Espírito Santo, Linhares também recebeu uma carreta de saúde da mulher em agosto de 2026. A unidade ofereceu mamografias, ultrassonografias, biópsias e consultas especializadas para pacientes previamente encaminhadas pela rede pública.
Atenção aos sinais

Embora a mamografia tenha papel importante no rastreamento, o diagnóstico precoce também depende da atenção aos sinais e sintomas. O Ministério da Saúde orienta procurar avaliação profissional diante de alterações como nódulo endurecido ou que aumenta de tamanho, secreção sanguinolenta pelo mamilo, retração do mamilo ou da pele, alterações semelhantes à aparência de casca de laranja e aumento progressivo da mama.
O INCA também destaca que todas as mulheres devem conhecer o próprio corpo e perceber mudanças que não sejam habituais. Diante de sinais suspeitos, a orientação é buscar atendimento para investigação.
Outubro Rosa é também sobre acesso
Os dados de 2025 e as iniciativas de 2026 mostram que falar sobre câncer de mama envolve mais do que incentivar o autocuidado. A prevenção e o diagnóstico precoce dependem de informação, acesso aos serviços de saúde e capacidade da rede de oferecer investigação e tratamento no tempo adequado.
Por isso, o Outubro Rosa permanece como um momento importante para ampliar essa conversa. A informação ajuda a reconhecer sinais, entender as recomendações de rastreamento e buscar atendimento quando necessário.
Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde.
